
A casa de minha mãe é rodeada de um silêncio profundo. Não há vizinhos, som alto ou qualquer coisa do gênero. No inverno aproveitamos bem o terreno, pois o clima é muito gostoso e passeamos entre as plantas e as pedras, colhemos frutas nas árvores e vegetais na horta. Parece o paraíso não é mesmo?, Mas quando chega o verão as coisas não são tão bucólicas assim, devido ao sol causticante e seus efeitos passamos a maior parte do tempo dentro da casa, que é quase um bunker contra o calor do Cariri.
Minha mãe se diverte nos alimentando, mas nem só de pão vive o homem - "a gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte" - é por isso mesmo criamos o nosso esquema de diversão. Nas semanas que antecedem a travessia da estrada começamos a escolher os filmes, que iremos ver enquanto estivermos lá.
Na nossa última incursão natalina à casa de minha mãe, assisti um filme lindinho. Lindinho é o adjetivo que utilizo sempre que me refiro a um filme que te deixa com um semblante leve ao final, te conduzindo pela mão para um lugar seguro e feliz. É o caso de "O Fabuloso Destino de Amélie Poulain", "Um lugar chamado Nothing Hill", "Procurando Nemo" e o mais novo integrante da galeria "Elling".
O filme norueguês, tem todos os ingredientes para ser pesado. Elling e Kjell Bjarne são pacientes psiquiátricos, que se encontram em um sanatório e iniciam uma amizade um tanto quanto inusitada. Depois de dois anos, eles são enviados para Oslo para participarem de um programa social de reintegração, onde deverão dividir um apartamento e desempenhar todas as atividades dos "normais". O filme, delicadamente, vai nos mostrando as dificuldades dos diferentes, a tentativa deles em proteger o seu mundinho isolado e perfeito, e principalmente, a amizade entre o pequenino e mandão Elling e o gigante e doce Kjell Bjarne.
Não deixa grandes perguntas filosóficas, nem questionamentos sobre a nossa existência. É leve, é bonito e agradável. Fala das coisas cotidianas de forma simples, . Nos envolvemos com os personagens e em pouco tempo queremos fazer parte daquele grupo de figuras excêntricas, mas adoráveis.
Foi um grande programa de Natal.






















