
Você está na parada de ônibus, reclamando do calor, da chuva, mas principalmente da demora do coletivo. Parece que vai chegar dezembro e o membro da realeza (via príncipe, via conde, via barão...) não chega. Lá pelas tantas, pelo menos no meu caso, a lataria branca começa a despontar na esquina e neste momento os futuros viajantes se arrumam como atletas em suas marcas. Quando o ônibus pára e a porta abre, eles se aglutinam e começa a guerra para subir, quem sobe primeiro tem maiores possibilidade de escolha de assento: janelas duplas, perto da porta, do lado contrário do sol (aqui em Recife isso é a diferença entre uma viagem agradável ou temerária).
Mas voltemos ao ponto que me trouxe aqui. Quando finalmente se chega ao querido cobrador, ocorre algo que realmente me indigna, alguém que estava na parada comigo, que esperou o ônibus por um tempo razoável, resolve na catraca abrir a bolsa e procurar o dinheiro ou o cartão de passagem. Se eu pudesse o arremessaria pela janela e com certeza seria aplaudida, por aqueles, que como eu, estão com sua passagem na mão, de preferência, dinheirinho trocado, que faz o cobrador carrancudo, esboçar algo como um sorriso de Monalisa.
Quando é mulher, e me desculpem as mulheres, a coisa ganha contornos tragicômicos, pois em suas bolsas do tamanho da África Meridional, cabe de tudo e a moedeira ou a carteira se perdem por intermináveis instantes, nos quais o motorista já chegou na outra parada e mais pessoas tentam entrar. Eu não entendo essa lerdeza, como diria minha mãe ou essa total falta de respeito que assola as pessoas e faz com que elas fiquem totalmente alheia a coletividade.
Portanto, "pelas caridade", antes de sair de casa ou mesmo no ponto do ônibus, separe a sua passagem e tenha uma boa viagem.