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29 de jan. de 2009

O sonho entrou por um ouvido e saiu pelo outro.


Você algum dia teve um sonho de infância, que por algum motivo não realizou? Pode ser um sonho comum como ir a Disney, ter um Dálmata ou usar uma fantasia de super herói. Pode ser também um sonho estranho, como quebrar o braço para poder colocar gesso que deveria ser todo riscado pelos seus amigos de escola, usar aparelho ortodôntico ou mesmo um par de óculos. Ou ainda sonhos peculiares e diria até pessoais e intransferíveis, como ter um sapo de estimação que você batizaria de Barnabé, mas esse sua mãe logo vetou. Às vezes o fato desses sonhos estarem no mundo do inatingível os torna ainda mais desejáveis. Até que um dia, acidentalmente, e na maioria das vezes é assim, ele se torna realidade e você descobre que enquanto ele foi sonho era bem melhor. E foi exatamente isso que aconteceu comigo hoje.

Como eu já havia contado lá trás, eu estou na academia e por causa dela tenho lavado o meu cabelo diariamente, esse meu cabelo que lembra Sansão em seus aúreos tempos, portanto haja sabão e água para tirar todo e qualquer suor. Obviamente a água segue o caminho que a gravidade ordena, ela desce e descendo entra no ouvido e isso acontecendo um excesso de cera é produzido dentro do conduto auditivo externo (chique, né?). Entre as minhas manias está a dos cotonetes. EU AMO COTONETES, mas fazia muito tempo que não os usava. Terça-feira não tendo o que fazer, resolvi limpar os ouvidos. O que aconteceu? Limpei um pouco e o resto da cera empurrei para o meu tímpano direito: fiquei surda! Você, talvez diante de tal adversidade, ficasse nervoso, preocupado, pensando mil e uma coisas, mas eu fiquei feliz. Calma, não chame os homens de branco e sua jeitosa camisa de mangas loooongas que amarra atrás. Este intempérie seria convertida em vantagem, pois permitiria que eu realizasse um sonho de muitos anos: lavar os ouvidos! Que? Você deve estar se perguntando. Como assim lavar os ouvidos? Que sonho mais ridículo é esse? É ridículo, mas é meu, e acredito, que de todos aqueles, que como eu, amam cotonetes. Se eu pudesse colocaria uma toalha em um ouvido e a tiraria pelo outro, mas infelizmente isso não é possível, nem mesmo para os cabeças ocas ou de vento.

Agora vamos aos fatos. Cheguei no consultório do meu otorrino, aquele que me salvou das vertigens da labirintite e que devido a isso será sempre "o meu herói". Não posso negar que tive medo que ele dissesse que não seria necessária a lavagem. Seria literalmente um banho de água fria nos meus sonhos. Ele olhou o meu ouvido e docemente informou que não era nada demais, que uma lavagemzinha resolveria o problema. Aquilo foi canção para os meus ouvidos, inclusive o entupido. Ele esquentou a aguinha, sim porque tudo que é bom é com água morna e tchan, tchan, tchan, tchaaaaan. Colocou um jato de água dentro do tal conduto. Depois outro e quando eu vi, ou melhor ouvi, todos os sons tinham voltado, mas a sensaçao que eu queria não tinha acontecido. Na minha cabeça, acho que esperava por uns 10 minutos de lavagem. Na realidade eu não sei bem o que esperava, mas não era aquilo. Por fim, ele ainda pega uma haste comprida e metálica, com um algodão na ponta e coloca dentro do ouvido o que me causou um desconforto incrível, embora nao tenha doído.

Saí de lá ouvindo tudo, com o ouvido limpo e bastante decepcionada com a realização do meu sonho de criança. Vai entender, né?